Participação das Empresas Portuguesas

na Globalização dos Mercados

Enquadramento:

1. Globalização dos mercados - liberalização comercial e financeira, NAFTA, Mercosul, APEC, mercado único europeu em aprofundamento e alargamento, mega-fusoes, etc. A despeito da crise asiática, a concorrência continuará a aumentar. Exige-se eficiência e produtividade para empresas portuguesas serem competitivas: não há alternativa à internacionalização, apenas estratégias mais ou menos ofensivas.

2. Contexto orçamental comunitário e nacional- A mudar, desde logo com o alargamento para leste e as relações com os países do Mediterrâneo, além da política de boa vizinhança com Rússia e Ucrânia. Apoios comunitários não são para sempre, processo de ambientação da indústria nacional e das entidades estatais à nova realidade que se avizinha não pode basear-se na ideia de subsídios a fundo perdido do orçamento nacional ou comunitário.

Rigor orçamental tenderá a tornar-se mais transparente e a alargar-se ao sector público inteiro. Pacto de estabilidade e supervisão multilateral limitam apoios financeiros nacionais. Portugal no "pelotão da frente" da União Económica e Monetária graças à "boleia" da descida de custos de serviço da dívida pública (uns 6% do PIB nos últimos cinco anos) mas este benefício está a esgotar-se, enquanto que despesas sociais crescem inexoravelmente com envelhecimento da população.

  1. Cultura empresarial - Estrutura do sector público não mudou em Portugal mas houve grandes restruturações empresariais durante a 1º e 2ª fases da UEM, aceleradas pelas privatizações. Maior sofisticação financeira das empresas (rating, cadeias de distribuição, cotação em bolsa) muda forma de apoio do subsidio para apoio mais estrutural, matching funds, ajudar na self selection, vencer barreiras informacionais, localização na periferia etc.
  2. Problema empresarial: Entre os meus clientes e fornecedores, quantos sabem que Portugal deixou de ser mercado emergente? Dentro desses que sabem, como apresentar Portugal como um valor acrescentado? Problema da parceria com o Estado: Como informar credivelmente os que não sabem (lá fora e cá dentro)?

Conclusão: 1. será cada vez mais apertado o crivo para despesas públicas, incluindo apoios à internacionalização, mas felizmente a procura para essse tipo de apoio virá também cada vez mais de empresas que não sabem (importa distinguir informação de acesso e informação de penetração, porque esta última é apropriável comercialmente, caso contrário estão-se a gastar recursos com empresas perdedoras, a chamada adverse selection). Disponibilidade de fundos públicos vai certamente diminuir, obrigando a um critério mais rigoroso de value for money.

2. É o momento oportuno para uma reflexão séria sobre o tema, reflexão que será facilitada pela existência de experiência recente sobre uma grande variedade de apoios (IAPMEI, ICEP, FCE, etc.) e pela experiencia de entidades similares noutros países.

Proposta do Forum Portugal Global, a ser coordenada pelo dr. José Braz:

A natureza do tema e esperada disponibilidade dos principais intervenientes (entidades estatais, principais empresas nacionais, académicos convidados) sugerem o seguinte processo para desenvolvimento dos trabalhos:

1. Workshops/mesas redondas sobre três a cinco tópicos principais, para talvez 10 a 20 intervenientes, com apresentação prévia aos participantes de tópicos para discussão e com um relator para resumir concusões.

  1. Preparação de um ou mais papers sobre o tema de cada workshop, de preferência por quem orientou o workshop, preparou os tópicos para discussão no mesmo e serviu de relator.
  2. Em simultaneo, preparação de case studies.

4. Organização do seminário/conferência, amplamente divulgado ou, se for considerado mais apropriado, por convite de grande número de empresários, parceiros sociais e gestores de entidades estatais ligadas à internacionalização. Seminário de 1 dia, com 4 sessões, com apresentação sumária de conclusões do(s) paper(s) (20 min), breve reacção crítica por comentador convidado (10 min) e debate (30 a 45 minutos) e case studies considerados relevantes. Seminário com gravação de intervenções e relator para resumir o debate.

5. Preparação de textos para publicação: capítulo de apresentação do tema, papers específicos e resumo do debate e conclusões do seminário, de preferência com propostas de orientação de estratégia e, se possível, de acções concretas.

Tópicos a abordar:

1. Internacionalização - instrumentos disponíveis e experiências recentes. Incluiria: principais instrumentos de política económica - macro (fiscalidade, taxas de juro, legislação laboral) e micro (subsídios, financiamentos, coberturas de riscos) - seus custos e repartição dos mesmos; resultados obtidos pelos principais instrumentos de apoio utilizados em anos recentes.

2. Novo contexto de internacionalização. O papel do Estado "magro"; iniciativas privadas / associativas, reforma da estrutura organizativa; coordenação com organismos comunitários / multilaterais.

3. Mercados - novas perspectivas. Mercados regionais - África, America Latina, Leste - especialização ou "ir a todas"? Relação cooperação/internacionalização; Oportunidade e formas de promover segmentos não tradicionais - hi-tech; produtos de consumo de luxo; mercado para aposentados (Portugal como "Flórida" da Europa).