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Comissão Trilateral,
lado europeu e grupo português |
Data desta versão: 15 de Janeiro de 1997.
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A Comissão Trilateral é uma organização internacional privada que congrega cerca de 325 personalidades líderes em diversas áreas de actividade - empresarial, política (excepto quando em funções governamentais), académica e imprensa - provenientes das três maiores regiões industrializadas e democráticas do mundo: América do Norte, Japão e Europa.
Fundada em 1973 por David Rockefeller, a organização visa promover a internacionalização dos negócios e aumentar a competitividade global das economias. Reconhece-se que, através nomeadamente de Zbigniew Brzezinski, as reuniões regulares da Comissão ajudaram a promover o hábito dos líderes dos principais países industrializados (o chamado G-7 que incluí agora os Presidentes da Comissão Europeia e da Federação Russa) se reunirem regularmente também. A Comissão Trilateral tem 3 presidentes regionais que se apoiam em 3 directores regionais e no Comité Executivo, composto por 36 indivíduos. Tem escritórios em Nova Iorque, Paris e Tóquio e divide-se em 17 núcleos nacionais: 14 países europeus formam um lado, os Estados Unidos da América e o Canadá formam outro e o Japão o terceiro.
O lado europeu é composto por 150 membros: 20 representante para Alemanha, França, Itália, Reino-Unido, 14 para Espanha, 9 para Holanda, 7 para Bélgica e Luxemburgo, 5 para Áustria, Dinamarca, Irlanda, Noruega, Portugal e Suécia, 4 para Finlândia. O Comité Executivo europeu é composto por 22 indivíduos, entre os quais os presidentes dos grupos nacionais, e delibera por ocasião das reuniões europeia e mundial. É o Comité Executivo europeu que aprova a entrada de novos membros, aprova o orçamento e o plano de actividades.
O grupo português foi fundado em 1980, por convite do então presidente do bloco europeu Georges Berthoin, verificada que estava a condição para formar um grupo nacional europeu que é a aceitação da candidatura de adesão ao que era então a Comunidade Económica Europeia. Antonio Vasco de Mello, na altura presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) foi indicado para o Comité Executivo. Com António Maldonado Gonelha, Francisco Lucas Pires, Mário Pinto e Paulo Pitta e Cunha, preparou a reunião europeia que se realizou em Lisboa, em 29 e 30 de Outubro de 1983. Esta reunião ajudou a sedimentar o processo de integração europeia nos meios empresariais portugueses e a alertar a própria opinião pública para o desafio que a adesão representava.Também tornou a realidade portuguesa mais conhecida nas diversas capitais europeias.
Posteriormente, com Francisco Pinto Balsemão, Ilídio Pinho, Jorge Braga de Macedo e Rui Mateus, organizou a Reunião Plenária que se realizou em Lisboa de 25 a 27 de Abril de 1992. Foi, aliás, na reunião de Lisboa que se procedeu à substituição formal dos três presidentes da Trilateral. Georges Berthoin foi substituído por Otto Lambsdorff, antigo ministro da Economia da Alemanha e Paul Volcker sucedeu a David Rockefeller, mantendo-se ambos presidentes honorários.
Em 1995, Antonio Vasco de Mello convidou Jorge Braga de Macedo (que, após interrupção por serviço público, regressara à Comissão, onde se encontravam ainda Carlos Tavares e José Lamego) para o substituir na Conselho Executivo e concordaram em propor novos membros quando um sistema de apoio fosse criado.
Foi o que aconteceu com a criação do Forum Portugal Global (FPG), uma associação de empresas criada em 1996 que deseja debater a internacionalização dos negócios, assegurando a representação dos interesses nacionais.
Pouco depois da criação do FPG, foi proposto o ingresso de três novos membros para completar a quota de 5 a que Portugal tem direito, os quais representam outros tantos sócios fundadores do FPG: António Mexia (Banco Essi) João Menezes Ferreira (ML>) e Salvador Guedes (Sogrape).
20ª Reunião Europeia e preparação do novo triénio
Os membros europeus da Comissão Trilateral realizaram a sua 20ª
Reunião em Helsínquia (Finlândia), entre 11 e 13 de
Outubro. Neste encontro, o primeiro realizado naquela cidade, foi discutida
a situação na região do Báltico - uma região
em que o alargamento da NATO e da UE levanta um problemas especialmente
delicados, no que toca desde logo às relações com
a Polónia e com a Federação Russa. Houve também
a habitual sessão sobre o país de acolhimento, em que interveio
a governadora do banco central, poucas horas antes da entrada formal da
marca finlandesa no Mecanismo de Cambio do Sistema Monetário Europeu.
O Primeiro Ministro e o Presidente da República também fizeram
intervenções de fundo. Foram ainda discutidos temas relacionados
com a construção do Mercado e da Moeda Única Europeia
e as relações entre UE e a Bosnia-Herzegovina.
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| Da esquerda para a direita Salvador e Carmo Guedes,
João Menezes Ferreira, Luiza e Jorge Braga de Macedo, António Gomes de Pinho. |
O alargamento da Comissão Trilateral a sul e a leste - que já foi aflorado na Reunião Plenária de Lisboa em 1992 - foi um dos temas debatidos na reunião do Comité Executivo. A posição europeia foi no sentido de um alargamento institucionalizado, o qual pôe sobretudo mais problemas do lado do lado japonês, por ser uninacional. É que, de acordo com as regras em vigor no lado europeu, podem formar-se grupos nacionais logo após a aceitação do respectivo pedido de adesão pela Comissão da Comunidade Europeia. Tal regra implicará uma redução a prazo dos grupos nacionais existentes, por forma a evitar ultrapassar muito o número de membros actual.
Mas a prudência do Comité Executivo europeu no que toca ao alargamento da Comissão Trilateral não prejudica a participação regular de convidados externos, sobretudo se apadrinhados por um particular grupo nacional, como por exemplo a Austrália ou Nova Zelândia pelo grupo inglês, o Brasil pelo grupo português, o México ou Argentina pelo grupo espanhol.
Quanto à Rússia, acordou-se em tratá-lo como um problema trilateral e não europeu, até por ser uma nação euroasiática. Insistiu-se, em todo o caso, na necessidade de observar simultaneamente democracia política e uma economia industrial de mercado, o que exclui para já a China e outras potências emergentes da Ásia-Pacífico, como a Indonésia.
Esta posição europeia será transmitida aos outros dois lado, tendo em vista a Reunião Plenária que se realizará em Tóquio entre 22 e 24 de Março de 1997, e na qual se espera possa vir a ser tomada uma posição definitiva sobre o tema. Também foi unanimente aprovada a continuação dos trabalhos da Comissão para o nono triénio, que se inicia em 1998.
P.S. A primeira versão deste texto foi apresentada na primeira reunião do Forum Portugal Global em 17 de Setembro de 1996 e depois discutida no escritório de Paris em 25 de Setembro. Enviem questões ou comentários para Jorge Braga de Macedo.